domingo, 7 de outubro de 2012


Leques tradicionais japoneses


Leques tradicionais japoneses
Os leques tradicionais japoneses (ファン, lê-se Fuan) são algo que logo vem à nossa cabeça quando pensamos nos objetos que fazem parte da cultura japonesa, assim como o katana. Na verdade, os tradicionais leques tem permeado a cultura japonesa ao longo de sua história. Por exemplo, uma gueixa jamais ficará completamente vestida se não estiver segurando esse acessório ornamental.

No Japão, ele tem uma série de utilidades, que vai além do óbvio, que é proporcionar uma brisa fresca ao usuário. Antigamente, os leques já foram usados em cerimônias religiosas, com a intenção de afastar o mal. Era também muito usado para proporcionar sombra para a moças aristocratas ou da realeza japonesa.
Leques japoneses
Os leques também serviam para definir o status social: Manter o leque fechado entre você e outra pessoa, significava que seu status era superior ao da outra pessoa. Já mantê-lo aberto, significava o contrário. Os leques também foram muito usados no teatro japonês kabuki e Noh para acentuar os movimentos de dança.
Para nós ocidentais pode ser um simples objeto para se refrescar no verão, porém no Japão, eles ganham um contexto altamente cultural, histórico e artístico, as quais muitos deles são pintados à mão com belas ilustrações ou escritos belas mensagens ou ideogramas. Também podem ser usados como acessórios de decoração nas casas, ou presos na parede ou em pé, sobre algum móvel.
Leques japoneses tradicionais kabuki decoração
Os leques passaram a se popularizar entre a população comum a partir do século 16. As ilustrações comuns nessa época era de retratos de atores do kabuki, paisagens ou mensagens. Hoje em dia ele é muito visto nos festivais, onde as moças vestidas de yukata, (quimono de verão), se abanam durante o verão quente e úmido japonês.
Leque japonês Festivais


Tipos de leques tradicionais japoneses


Existem basicamente dois tipos de leques japoneses: o leque dobrável (OGI ou SENSU) e o leque não dobrável (UCHIWA). Porém dentro destes dois estilos existem algumas variações, conforme o local onde são produzidos.

Leques japoneses  Ogi e uchiwa

Leques Uchiwa
Os Leques Uchiwa foram trazidos da China e sua base usa uma moldura circular feito com lâminas estreitas de bambu, coberto por papel washi ou tecido esticado. Ela é plana e rígida, usado basicamente como abanador, para fins decorativos ou em festivais de verão, para serem usados com o yutaka.

Leque japonês

São classificadas em três tipos, conforme os locais onde são produzidos: Bo-shu Uchiwa ( Boshu, sul de Chiba), Kyo Uchiwa (Kyoto) e Marugame Uchiwa (Marugame). Essas três cidades são as campeãs na fabricação de leques artesanais e 100% feito à mão, tanto que foram designadas como “Artesanato Tradicional Nacional Japonês“.



boshuuchiwa

Hoje em dia, os leques uchiwa também são frequentemente oferecidos por diversas empresas como brinde de verão, como forma de marketing ou publicidade. São ilustrados com o slogan da empresa e são feitos geralmente de plástico, pois é mais barato e mais fácil de processar do que o bambu, facilitando a fabricação em massa.
Também são acessórios encontrados aos montes nos festivais de verão, os matsuris. Veja alguns exemplos abaixo:

matsuriuchiwa

Leques Ogi ou Sensu
Já o estilo de Leques Ogi, nasceu no Japão e existem muitas variedades deste estilo, mas basicamente sua estrutura é dobrável, feito com ripas estreitas de bambu, marfim ou cipreste e depois coberto com papel washi ou seda.
Ambos os tipos foram muitas vezes decorados com caligrafia de poemas e sutras budistas. Esse estilo tem sutis diferenças para homens e mulheres, em relação à cor, design e tamanho: 18 a 20 cm para as mulheres e 23 a 24 cm para os homens.

Leques japoneses

Eles pode ser bastante simples ou podem conter belos desenhos ou mensagens, reflexo da escassez de papel que havia naquele período. A grande vantagem desse estilo, é a facilidade de transportá-lo, já que quase não ocupa espaço algum.
Geralmente vem acompanhado de uma caixinha, onde é guardado após o uso. Dentro do estilo Ogi, há vários tipos, como o Kawahori-sen, um leque mais simples, feito de papel, o Maiougi, usado especialmente nas danças japonesas.
Já o Sensu Chasen, usado especialmente em cerimônias do chá, onde permanece na maioria das vezes fechada. É usado somente em casos de desculpas formais ou declarações importantes.

Leque Ogi Sensu


Simbolismo do leque tradicional japonês


Como tudo no Japão, o leque também tem seu simbolismo. Sua extremidade simboliza o nascimento, enquanto suas lâminas simbolizam os muitos caminhos possíveis que nos deparamos na nossa vida. As cores também tem significados: Vermelho e branco são considerados sorte, dourado é usado para atrair riqueza.
No Japão, os leques acompanham a vida das pessoas, desde o seu nascimento e passando por todas as etapas da sua vida como batizados, durante o Shichigosan, uma comemoração do terceiro, quinto e sétimo aniversários das crianças. Também está presente na hora de selar o compromisso entre dois apaixonados, onde se costuma trocar leques, ao invés de alianças.


Na cerimônia típica de casamento, o leque também está presente. na qual a noiva ostenta um leque dourado de um lado e um prateado do outro; já o noivo, usa um leque branco durante a cerimônia. Nos velórios, eles também estão lá, onde os convidados levam um leque cinza-esverdeado, que é usado uma única vez.


Significado das estampas dos leques


Muitas vezes, os leques são dados de presentes para homenagear nascimentos, batizados ou aniversários. A maioria são coberto de desenhos florais, pois para o japonês, flores são símbolos de vida, especialmente os crisântemos, onde suas pétalas perduram por longos anos. É comum também ilustrações de animais como a tartaruga e o tsuru, símbolos da longevidade.


Em casamentos é comum darem leques ilustradas com plantas perenes, tais como bambu e pinho, pois simbolizam resistência. Flores de cerejeira (sakura), simbolizam o amor entre pais e filhos. Rosas significam amor, e a combinação de rosas e pinheiros simbolizam os opostos que se atraem, seguindo os princípios de yin e yang.



Leques com ilustrados com aves em pares simbolizam casais apaixonados, porém aves pretas representam o mal. Leões simbolizam realeza, força e proteção, enquanto os tigres significam guerra. Um cavalo pode simbolizar a misericórdia (especialmente se ele é branco). Uma borboleta significa uma mulher vaidosa e inconstante, mas se forem duas simbolizam um casamento feliz. Um  koi (carpa), simboliza riqueza, sorte e uma vida longa.



Fonte: Japão em foco

domingo, 3 de junho de 2012


Curiosidades sobre o Monte Fuji (FujiSan)







Curiosidades sobre o Monte Fuji
Monte Fuji (富士山) é um dos símbolos e um dos mais belos cartões postais do Japão, além de ser considerada uma das montanhas mais bonitas do mundo, devido à sua beleza e simetria. Na verdade, o Fujiyama não é simplesmente uma montanha. Se trata de um vulcão que está em inatividade há mais de 300 anos e que acabou se tornando uma das atrações mais populares do Japão, sendo muito procurado por turistas, além de ser muito amado e reverenciado pelo povo japonês.

Essa bela montanha serve de inspiração para diversos artistas há várias gerações, seja em forma de poemas, romances, pinturas ou fotografias. Embora seja belo em todas as estações, o Monte Fuji alcança o ápice da sua beleza durante a Primavera, onde o seu cume coberto de neve é emoldurado pelas flores de cerejeira. Esse cenário lhe fez ganhar o apelido de Fuji Konohana Sakuahime, que significa “fazendo a flor desabrochar brilhantemente.”
Monte Fuji na Primavera
Monte Fuji na Primavera

Curiosidades sobre o Monte Fuji:

• É chamado Fuji-san (富士山) em japonês e a origem do nome Fuji é controverso. Alguns dizem que deriva da língua da tribo indígena Ainu, que ao pé da letra significa “vida eterna”. Os estudiosos, no entanto, dizem que o nome se origina da língua Yamato e refere-se a “Fuchi”, a deusa do fogo budista.
• Embora seja bastante conhecido por nós ocidentais como Fujiyama, devido ao último kanji (山) significar montanha, a única forma correta de fazer referência ao monte Fuji é Fuji-san, que também significa montanha, usando o mesmo kanji.
• Outros nomes japoneses utilizados para fazer referência ao Fuji-san, que caíram em desuso, incluem Fuji-no-Yama (montanha de Fuji), Fuji-no-Takane (pico alto de Fuji), Fuyō-hō (Pico de lótus’) e Fu-gaku (Fuji montanha).
Monte Fuji, reflexo no lago Tanuki
Monte Fuji, reflexo no lago Tanuki




• Fuji-san é considerado uma montanha sagrada para muitas religiões. O povo Ainu reverenciavam o grande pico. Os xintoístas criaram um santuário no topo em reverência à deusa Sengen-Sama, que encarna a natureza. Já a seita Fujiko acredita que a montanha é um ser que possui alma.
• O Monte Fuji é considerado sagrado pelos japoneses desde os tempos antigos pelos budistas, que acreditam que a montanha é a porta de entrada para um novo mundo, juntamente com o Monte Tate e Monte Haku, que formam as “Três Montanhas Sagradas” do Japão.
• O Fuji-san é a montanha mais alta do Japão e a 35ª do mundo; O ponto mais alto tem 3.776 metros de altura. Sua cratera é de 820 metros de profundidade e tem um diâmetro de superfície de 1.600 metros.
Monte Fuji e Templo, no Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu
Monte Fuji e Templo, no Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu
• O Monte Fuji é a montanha mais escalada no mundo. São mais de 200 mil pessoas que sobem até o cume todos os anos, nos meses de julho e agosto. Cerca de 30% das pessoas que sobem são estrangeiros.
• Há um ditado japonês que diz que todo homem nascido no Japão, deve escalar o Monte Fuji, pelo menos uma vez em sua vida. Ao fazer isso, ganhará benção espiritual e sorte em sua vida.
• O Monte Fuji fica na fronteira entre as províncias de Yamanashi e Shizuoka e a uma distância de cerca de 60 quilômetros a sudoeste do centro de Tóquio. Devido à pouca distância, os moradores de Tóquio e Yokohama podem ter o privilégio de avistar a montanha nitidamente em dias claros.

Vista do Monte Fuji em fim de tarde à partir de Tóquio
• Monte Fuji é um vulcão adormecido há mais de 3 séculos. A montanha foi formada em quatro fases de atividade vulcânica há mais de 600.000 anos atrás. A última erupção do Monte Fuji ocorreu de 16 de dezembro de 1707 a 01 de janeiro de 1708.
• A primeira pessoa a subir o Monte Fuji foi um monge anônimo, no ano de 663; Depois, o pico passou a ser escalado apenas por homens. O primeiro ocidental conhecido por escalar Fuji-san era Sir Rutherford Alcock, em setembro de 1860.
• Mulheres eram proibidas de subir até o cume, até a Era Meiji, no final do século 19. A primeira mulher branca a subir o Monte Fuji, foi Lady Fanny Parkes em 1867.
Monte Fuji e Shinkansen
Monte Fuji e um dos Shinkansen que passam em torno dele
• A temperatura média no topo varia de 18 a 8 graus celsius no verão. Porém, como venta bastante a sensação térmica é de graus negativos. Já no inverno a temperatura no topo pode chegar a – 40° C.
• Existes 4 rotas principais para subir o monte fuji: Yoshidaguchi, Subashiri, Gotemba e Fujinomiya. Em cada trilha, se encontra 10 paradas, onde se pode encontrar bebidas, comidas e lugares para descansar. A cada parada, as coisas ficam mais caras, portanto o ideal é levar mantimentos.
• O Monte Fuji é cercado pelos Cinco Lagos de Fuji (Fujigoko): Kawaguchi, Yamanaka, Sai, Shoji e Motosu. O Monte Fuji, o Fujigoko, além de Hakone, Península e ilhas de Izu, fazem parte do Fuji-Hakone-Izu Kokuritsu Kōen, um Parque Nacional, com várias centenas de quilômetros que abrange as províncias de Yamanashi, Shizuoka, Kanagawa e Tóquio.
Monte Fuji Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu
Monte Fuji Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu
• O cantor Kyu Sakamoto contratou carregadores para levar um piano para uma apresentação no topo.
• O Monte Taranaki na Nova Zelândia tem 2518 metros de altura e é tão parecido com o Fuji em alguns ângulos e aspectos, que se passou por ele no filme ¨O Último Samurai¨.
• Em 1910, a compositora e caligrafista Iwaya Sazanami, criou a música “ Fuji-San “em homenagem ao Monte Fuji. A música é cantada até hoje pelas crianças.
Veja a letra, tradução e o vídeo abaixo:
LetraTradução
Atama o kumo no ue ni dashi,
shiho no yama o mioroshite,
kaminari-sama o shita ni kiku,
Fuji wa Nippon-ichi no yama.
Aozora takaku sobie-tachi,
karada ni yuki no kimono kite,
kasumi no suso o toku hiku,
Fuji wa Nippon-ichi no yama.
Tem uma cabeça acima das nuvens
Olha para as montanhas ao redor
Ouve um trovão abaixo
Fuji, a montanha mais alta do Japão
Está alto no céu azul
Vestindo um quimono de neve
e uma bainha prolongada de névoa
Fuji, a montanha mais alta do Japão
Vídeo:
monte-fuji-galeria



Cultura Japonesa! Cerimônia do Chá



A cerimônia do chá japonesa (chanoyu 茶の湯, lit. "água quente [para] chá"; também chamada chadō ou sadō, 茶道, "o caminho do chá") é uma atividade tradicional com influências do Taoísmo e Zen Budismo, na qual chá verde em pó (matcha, 抹茶) é preparado cerimonialmente e servido aos convidados. O matcha é feito da planta chamada chá, camellia sinensis. 


O praticante de cerimônia do chá precisa ter conhecimento de uma ampla gama de artes tradicionais que são parte integral do chanoyu, incluindo o cultivo e variedades de chá, vestimentas japonesas (kimono), caligrafia, arranjo de flores, cerâmica, etiqueta e incensos — além dos procedimentos formais de seu estilo de chanoyu, que podem passar de uma centena. Assim, o estudo de cerimônia do chá praticamente nunca termina. Mesmo para participar como convidado em uma cerimônia formal é preciso conhecer os gestos e frases pré-definidos, a maneira apropriada de portar-se na sala de chá, e como servir-se de chá e doces, 

Beber chá é um costume introduzido no Japão, no século IX, na forma de chá de infusão (団茶, dancha) por um Monge Budista Eichu (永忠), quando retornava da China ao Japão, aonde conheceu a Erva, de acordo com a lenda, após 200 anos. O chá tornou-se a bebida mais consumida no Japão, e cultivada em seu próprio território.


O costume de beber chá, iniciou-se de forma medicinal, e por razão de luxo, uma vez que era importada da China. no século IX, O Autor Chinês Lu Yu escreveu o Ch'a Ching , um manual sobre o cultivo e preparação do chá. A vida de Lu Yu foi influenciada pelo budismo. A idéia dele foi crucial para a criação e aprimoramento da cerimônia.

No século XII, um novo tipo de chá surge, o matcha, foi trazido por Eisai, outro monge japonês retornando da China. Considerado um chá verde mais forte, retirado da mesma planta de chá preto , foi inicialmente utilizado em rituais em Templos Budistas. Já no século XIII, samurais já consumiam a bebida matcha, como uma adaptação do Budismo, com isso, o futuro do chá estava traçado.


Por volta do século XVI, beber o chá se popularizou, chegando a atingir todas as camadas sociais do Japão. Sen no Rikyu, um dos maiores destaques na história da cerimônia do chá, seguido pelo seu mestre, Takeno Jōō, de acordo com a filosofia  ichi-go ichi-e, cada cerimônia do chá é única, e nunca poderá ser reproduzida. Seus ensinamentos foram responsáveis pelo desenvolvimento de novos estilos arquitetonicos japoneses, como Jardins, Arte e todo o desenvolvimento e criação da cerimônia do chá. E os ensinamentos resistem até hoje.

Os Utensílios da cerimônia são chamados de dōgu (道具, literalmente "Ferramentas"). A quantidade de dōgu necessários a uma cerimônia varia em função da escola e do estilo da demonstração. A sua variedade, nomes específicos e combinações de utilização tornam impraticável pela sua extensão a inclusão neste espaço de uma lista pormenorizada. Existem no Japão dicionários específicos que chegam a ter centenas de páginas. Apresenta-se de seguida uma lista simplificada com os itens essenciais:

Fukusa (lenço de seda)
Chawan (taça)
Natsume ou Cha-ire (boião para o chá em pó)
Chasen (batedor para preparar o chá)
Chashaku (espátula para servir o chá em pó)
Chakin (pano para limpar a taça)
Hishaku (concha de bambú)
Kensui (recipiente para a água suja)
Tana (pequena estante para colocar os utensílios)
Kama (panela de ferro)
Furo (braseiro)


A Harmonia resulta da interação do anfitrião, do convidado, da comida servida, dos utensílios usados e da natureza. Antes do chá, será oferecido doce ou uma leve refeição ao convidado cujos pratos estarão de acordo com a estação do ano. O segundo princípio, o Respeito, refere-se à sinceridade do coração, aberto para um relacionamento com o ser humano e a natureza, reconhecendo a dignidade inata de cada um. A Pureza, segundo os ensinamentos de Rikyu, relaciona-se ao simples ato de limpar. Os preparativos, o próprio serviço do chá e a limpeza após a cerimônia estão colocando em ordem, também, o seu próprio íntimo. E, esta ordem é essencial. Finalmente, a Tranquilidade é o conceito estético próprio do chá, alcançado através da prática constante em nosso cotidiano desses três primeiros princípios básicos. Segundo Rikyu, o ponto essencial do Caminho do Chá é que seus princípios são dirigidos à totalidade da existência e não somente aos momentos vividos em uma sala de chá. E é uma disciplina a ser treinada durante toda uma vida. São necessários pelo menos 10 anos para o domínio de todas as nuanças relativas à cerimônia.
A sequência de gestos é realizada pelos mestres e aprendizes que fazem a cerimônia. O preparo da bebida e o ato de servir têm um significado espiritual, ao qual se dá o nome de chado, ou caminho do chá, que tem três princípios básicos: todos são iguais, respeito ao outro e gratidão por aquele que prepara o chá.

Em média uma cerimônia dura 40 minutos, mas em alguns casos pode chegar a 4 horas. O tempo se alonga se for considerado o início da cerimônia, quando ocorre a caminhada por um jardim de pedras tipicamente japonês. O ponto alto acontece quando os participantes compartilham o momento de tomar a bebida.

domingo, 14 de agosto de 2011




Yakudoshi significa anos críticos ou anos de calamidade. Os japoneses acreditam que certas idades são consideradas se azar e que as pessoas ficam mais susceptíveis à desgraças, infortúnios ou doenças.
As idades de azar para os homens são 25, 42 e 61, e para as mulheres 19, 33 e 37, embora existam variações dependendo da região no Japão. As idades de 42 para homens e 33 para as mulheres são consideradas as mais críticas e significa honyaku (grande calamidade). Talvez seja porque os números 42 e 33 são números que foneticamente transmitem azar.
O número 42 pode ser pronunciado “shi-ni”, que tem o mesmo fonema da palavra “morte”, e e 33, quando pronunciado como “Sanzan” significa“duro”, ” terrível “, ou “desastroso”. No ano de yakudoshi, os japoneses costumam ir à santuários para uma cerimônia para afastar o sofrimento e azar (yakubarai).
Outra coisa a fazer para espantar o azar é a família e amigos darem uma festa para comemorar o aniversariante azarado. No ano seguinte é a vez do aniversariante dar a festa, nem que seja apenas com a família e poucos amigos. O que importa na verdade não é a festa em si. É o ato de celebrar com familiares e amigos.
No Brasil, já faz parte do costume celebrar o aniversário todos os anos, mas no Japão, eles têm idade certa para celebrar.
Pode ser que para nós seja apenas uma superstição, porém os japoneses acreditam de verdade nas idades críticas, devido a muitas coincidências de pessoas que passam por problemas nessas idades, tanto na saúde como na vida financeira e profissional.
Muitas pessoas também acreditam que o ano anterior (maeyaku) e o ano após o yakudoshi (atoyaku) também são críticos e também deve-se tomar cuidado. Há quem diga que se a pessoa não cumprir o ritual no ano certo, ganha 7 anos de azar, tendo que nos próximos 7 anos pagar sua festa de aniversário e se possível dar um rolê no santuário para se livrar do azar.




Desde 1993, uma pequena aldeia japonesa chamada Inakadate, cria imagens deslumbrantes em seus campos de plantação de arroz, mostrando que há sempre um jeito novo de mostrar a beleza da arte, utilizando a natureza como instrumento.


A idéia iniciou-se como uma forma de atrair visitantes para a região e assim angariar dinheiro dos turistas. A idéia deu tanto certo que a região está se tornando cada vez mais conhecida, não só no Japão como no mundo todo.


Agora, outras regiões no Japão, investiram nessa técnica e também estão criando suas artes em meio a natureza. É realmente um grande espetáculo!


Os turistas se impressionam tanto, que acham que foi usado tintas especiais para compor o desenho, mas na verdade para obter os contrastes de cores, os cultivadores plantam nos locais precisos, três tipos diferentes de arroz, cada um com uma cor diferente.


Inakadate fica localizada no Distrito Minamitsugaru de Aomori, no Japão. A área total da vila é 22,31 km ² com uma população com pouco menos de 10.000 habitantes. Cada ano, os agricultores e moradores da região se mobilizam para plantar e assim criar as imagens magníficas. É um verdadeiro trabalho em equipe!


Visto de cima, estas obras de arte são impressionantes. As obras primas podem ser vista entre julho e agosto, até que a safra seja colhida em setembro. A cada ano, uma imagem diferente e é incrível ver como é possível tamanha perfeição e riqueza de detalhes. Esse ano o tema foi esse:

 fonte: Japãoemfoco